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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pais Brilhantes, Professores Fascinantes...



Deixo aqui uma sugestão de leitura para todos os pais, professores e educadores que visitam o nosso blog e que, tal como nós, estão interessados e empenhados em educar e formar crianças e jovens felizes e inteligentes!

Autor: Augusto Cury
Título: Pais Brilhantes, Professores Fascinantes
Editora: Pergaminho
Ano: 2004

SINOPSE:
"Pais e professores lutam pelo mesmo sonho - o de tornar os seus filhos e alunos felizes, saudáveis e sábios - e cultivam os terrenos mais difíceis de serem trabalhados: os da inteligência e da emoção.
Esta é uma tarefa heróica, mas os ensinamentos desta obra não se destinam a heróis. Destinam-se a seres humanos falíveis (como todos somos) que sabem que educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência; é acreditar na vida, mesmo nos momentos menos alegres; é ter esperança no futuro, mesmo que o presente nos desiluda. Destinam-se a todos aqueles educadores que sabem semear com sabedoria e colher com paciência.
Augusto Cury, psiquiatra e educador, partilha aqui com o leitor a sua paixão pela educação, colocando à disposição de pais, professores e qualquer pessoa interessada na riqueza do espírito humano as ferramentas necessárias para promover a formação de pensadores, educar a emoção, expandir os horizontes da inteligência e produzir qualidade de vida. Pois não é isso o melhor que temos a transmitir àqueles que educamos?"


Acredito que, depois de lerem este livro, vão certamente recomendá-lo a outros que, assim como vós, amam a educação!

Sara Patinha

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Desafios da 2ª década do Sec. XXI: um olhar crítico sobre o ensino em Portugal

Por curiosidade decidi pesquisar o significado do termo escola em Portugal e o mesmo em Inglaterra. Obtive os resultados que a seguir indico:

Uma escola ou colégio é qualquer estabelecimento ou instituição de educação. Surgiu da filosofia dos gregos antigos, onde eles se reuniam em praças públicas para praticar filosofia e trocar ideias. Uma escola é formada por diferentes pessoas, sendo o director aquele que dirige, o professor quem ensina e dá as aulas, e o aluno aprende e estuda os ensinamentos do professor.


A school (from Greek σχολή (scholē), originally meaning "leisure", and also "that in which leisure is employed", "school"), is an institution designed to allow and encourage students (or "pupils") to learn, under the supervision of teachers.


O 25 de Abril de 1974 foi o primeiro dia de liberdade após um regime decrépito que conduziu o país à pobreza cultural. Todas as ditaduras se alimentam de pessoas incultas, que não se questionam, que não criticam, que não são interventivas na sociedade. De um momento para o outro a população passou a ter acesso à escola, à liberdade de expressão, no entanto poucos foram aqueles que tiveram competências para o fazer.
Foi a partir dessa altura e, sobretudo, nos anos 80 que ocorreu a massificação do ensino. O número de alunos nas escolas aumentou de tal forma que não existiam professores suficientes, pelo que o acesso a esta classe profissional foi tudo menos selectivo. Iniciou-se assim a descredibilização de uma classe que durante o estado novo era considerada estruturante na sociedade.
Na década de 90 houve uma estabilização. A sociedade portuguesa transpirava esperança. A injecção de capitais da comunidade europeia, a expo 98, o crédito à habitação bonificado, o crédito para o automóvel. Nas escolas foi também um período de organização. Os professores profissionalizaram-se, readquiriram algum estatuto, em grande medida pela redução do número de faltas e pela discussão de estratégias pedagógicas para colmatar problemas, como o insucesso e abandono escolar. Acontece, porém, que também nesta altura começou a surgir um novo conceito de família. Crianças sedentárias e sós, com muitos recursos materiais e pouco tempo de atenção. Pais com remorsos e crianças/adolescentes manipuladores/abusadores das fraquezas dos seus educadores. Surgem no final da última década do último século os primeiros problemas de violência nas escolas, de desautorização dos professores, de desencantamento de alguns professores com a sua profissão.
A primeira década do Sec. XXI foi difícil a vários níveis. Escrevo-o de forma sentida, porque foi nela que entrei no mercado de trabalho. A minha geração foi considerada em 1995 (se não me falha a memória) como geração rasca, na altura devido às lutas em frente à Assembleia da Republica motivadas pelas provas globais no ensino secundário. Na verdade, a história veio a demonstrar que não se tratava de uma geração rasca, mas sim um país com uma política rasca que não soube/sabe aproveitar os valores individuais. Faço parte de uma das últimas gerações de professores que fizeram tudo para poder ensinar, muitos de nós pagámos para trabalhar (os custos associados à deslocação não eram cobertos pelo vencimento). Somos uma geração de professores que terminámos os cursos superiores com média de 16 ou superior, a maior parte de nós com formação pós-graduada de mestrado ou doutoramento. Mas somos também a geração mais maltratada pelo ME. Contratados há 10 anos, sem possibilidade de subir na carreira ou de contribuir de forma activa nos órgãos da escola.
Mas há uma nova geração de professores e esta vai por certo marcar esta nova década que agora se inicia. A saída repentina de milhares de professores das escolas fez com que neste momento voltem a aparecer professores sem profissionalização ou professores com médias de 11 e 12 nos seus cursos superiores. Professores que o são porque não conseguiram ser outra coisa, e eu só espero que a minha filha não tenha o infortúnio de ter um destes exemplares, que de professores têm muito pouco, no seu percurso escolar. Este ano houve alunos sem professor colocado até Novembro/Dezembro na região de Lisboa. Imagino o que se estará a passar no interior. Há professores que assinam contratos e que passadas 2 ou 3 semanas decidem que não é bem aquilo e aceitam contratos noutras escolas. Nada lhes acontece! Mas, por outro lado, nunca como hoje foi tão fácil diversificar as estratégias, temos computadores, temos quadros interactivos, temos a possibilidade de mostrar filmes do Youtube para exemplificar mecanismos, temos o Moodle, o Facebook, o mail,... Temos uma enorme bateria de ferramentas ao nosso dispor.

Mas sabem o que falta?
Falta paixão! Paixão pelo conhecimento. Para quem o ensina... Para quem o aprende!

Em vez de considerarmos a escola um espaço em que figura o director, o professor e em último o aluno que aprende (a passividade parece-me implícita na forma como se apresenta a afirmação), que seja um espaço que permita e encoraja os alunos a aprender. E que nós, professores, possamos ser a inspiração/motivação dessa aprendizagem.

E que, em última análise, os mestrandos suplantem o seu mestre. Quando isso acontece eu considero que fiz um bom trabalho!

São estes os meus votos para a escola da 2ª década do sec. XXI! Temo que seja uma realidade exclusiva da escola privada. Quem dera que o não fosse...

Paula Pousinha

sábado, 29 de agosto de 2009

A nova geração de pais!

Não tenho idade para ter conhecido o Portugal das colónias, da ditadura, da censura. Os meus 30 anos apenas me permitem olhar Portugal no pós 25 de Abril, mas neste período de tempo foram muitas as mudanças.
Recordo-me dos anos 80, a minha entrada na escola em 84. Os juros dos empréstimos à habitação que eram elevadíssimos. O meu pai ganhava 27 contos e pagava 25 pelo empréstimo de 2500 contos. Os Verões eram passados numa aldeia próxima de Tomar. Se há odor que caracteriza a minha infância é o cheiro a queimado. Os meus avós tinham muitas propriedades, pinhais, olivais, eucalipais,... o seu ganha pão. Quando a sirene tocava saíamos de casa e olhávamos o céu para adivinhar de onde vinham as chamas. Com baldes e mangueiras molhávamos a casa e rezávamos para que o fogo não nos atingisse ou às propriedades.
Os anos 90 foram de prosperidade. Os incentivos dos empréstimos à habitação, a possibilidade de comprar carros às prestações. A Expo 98. Construir, construir, construir. E não esquecer, o telemóvel e a internet, nessa altura só para alguns! O êxodo do interior para o litoral já se tinha verificado nos anos 70/80. A sua motivação: lutar por um futuro melhor. Sem escolaridade, tentaram aprender uma profissão. Através do trabalho, da humildade, da paciência, da honestidade. Ter só o que se pode ter, vulgo pagar a pronto. Honrar os compromissos. Valores que caracterizam essa geração.
Nós, os filhos desses pais lutadores, pudemos estudar. Dar-nos ao luxo de começar a trabalhar aos 23/24 anos. Tirar a carta de condução aos 18 anos, comprar roupa a cada estação de acordo com as modas.. E depois a vida adulta.
É esta a nova geração de educadores do século XXI. A geração dos senhores doutores. A geração engravatada que não quer sujar as mãos. Dificilmente se encontram mecânicos, canalizadores, pedreiros, serralheiros com 30 anos. Os valores do esforço, da honestidade, da honra na palavra, foram substituidos pelos valores da espertisse, da aparência e dos 30 cartões que aumentam o volume da carteira.
E esta geração tem filhos!
Lembremo-nos sempre que a criança aprende pela repetição dos seus modelos.
Não vale a pena querer que a criança coma a sopa, o prato e a fruta, se nós ao lado, comermos hamburgueres e pizzas.
Não vale a pena querermos que a criança tenha respeito ao professor, se nós em família comentarmos, à sua frente, que o professor é maluco e não sabe o que diz.
Não vale a pena exigirmos esforço, se a recompensa se atribui com ou sem resultado.
Nós, a nova geração, temos a obrigação e a responsabilidade histórica de ser melhores educadores que os nossos pais. E, com toda a sinceridade, não sinto que o estejamos a ser.
Vale a pena pensar nisto!

Paula Pousinha Luís

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ensino secundário obrigatório

O meu primeiro ano de serviço docente foi no ano lectivo 2001/2002.
A minha primeira reunião geral de professores foi no dia 11 de Setembro de 2001. Perpetuará na memória a entrada de uma professora na reunião, completamente alterada, gritando que tinha sido atingida a segunda torre. Ficámos perplexos com a notícia e a reunião foi substituída por expressões de incredulidade em frente a um televisor, que o auxiliar se encarregou de colocar na sala.
Nessa altura falava-se da necessidade de mudar, da necessidade de implementar novas estratégias em sala de aula, centradas no aluno, dirigidas às necessidades individuais, refutando o ensino de massas. Enquanto aluna da Faculdade, tive uma cadeira denominada Métodos e Técnicas de Educação, na altura da responsabilidade da Doutora Maria de Lurdes Cró. Um ano a discutir a necessidade da mudança, da resistência à mudança, do respeito pela diversidade,... A verdade é que só anos mais tarde compreendi o sentido destas palavras. Foi com enorme sabedoria que a minha orientadora de estágio e eterna mentora, a Dr.ª Isabel Paiva, referiu que o estágio profissional é como tirar a carta de condução, somente a experiência faz o professor.
O meu estágio profissional foi no ensino secundário, 10º e 11º anos. Fui orientada para o rigor, a exigência, a criatividade, a experimentação. Incitada a fazer ouvir os meus pontos de vista, a participar activamente na comunidade escolar, a entender o aluno como um todo e a aula como a continuação da anterior e o início da posterior, a preferência por unidades temáticas em detrimento dos planos de aula, a construção do conhecimento em oposição à sua exposição. A pergunta que se responde com outra pergunta, conduzindo o aluno a encontrar a resposta e envolvendo a turma nesse propósito. Foi essa a bagagem que trouxe daquela escola que não só de nome era a Quinta das Flores, naquela cidade sinónimo de saudade, Coimbra!
E depois a experiência do ensino básico. Recordo-me de ter feito teste e de os ter corrigido da forma que sempre faço: trancando a vermelho todos os espaços vazios. Uma aluna de 7º ano, ao receber o teste começou a chorar, não percebi de imediato o que se passava. Perguntei-lhe, ao que me respondeu:
-A professora riscou o meu teste todo. Está tudo mal!
Nesse momento percebi que há diferenças avassaladoras e é bem verdade que necessitaria de outro estágio, porque ensinar alunos do ensino básico é outra realidade, a qual se sente na linguagem, no ritmo, na autonomia,... pena que a diferença também se sinta na exigência, no rigor e na diferenciação de alunos.
Dei aulas no ensino básico pela última vez em 2005/2006. Um ano emocionalmente muito exigente e no qual quase esqueci que era professora. Há realidades sociais em que falta tudo! É quase como educar os nossos filhos, só que em vez de bebés temos adolescentes de 13, 15 ou até mesmo 18 anos, aos quais temos de ensinar cuidados básicos de higiene, formas de estar, de comunicar,... Os cursos de educação e formação que se massificaram a partir de 2006/2007 e que para isso muito contribuiu a escola em que trabalhei: a Afonso Domingues. É, em boa da verdade, uma das escolas com maior experiência nesta oferta curricular. Recordo-me que o nosso objectivo, enquanto Conselho de Turma, era contribuir para que o maior número de alunos tivesse a escolaridade obrigatória, o 9º ano. O nível 3 era o saco em que cabia tudo, criando graves injustiças entre os pares.
E agora? A escolaridade obrigatória será o 12º ano!
Como é que vamos operacionalizar esse objectivo?
Nos 27 países da Comunidade Europeia somente 6 países têm escolaridade obrigatória de 12 anos. Os resultados de Portugal parecem demonstrar que os nossos alunos, que cumprem os 9 anos de escolaridade obrigatória, desenvolvem muito menos competências do que os seus pares para o mesmo período, sobretudo no que respeita à matemática, ciências e língua materna.
Sou directora de turma de 11º ano e vejo-me confrontada com situações para as quais não tenho soluções. Armadilhas criadas pelo próprio sistema e que causam somente o adiar de um problema.
Por exemplo, tenho três alunos na minha direcção de turma que transitaram do 10º para o 11º ano com 5 a MAT e 8 a CFQ. Em Setembro último inscreveram-se no 11º ano em todas as disciplinas com excepção da MAT. Inscreveram-se a CFQ 11ºano, na medida em que o sistema permite a conclusão da disciplina, desde que a média com o 11º ano seja 10. Não houve compatibilidade de horário para frequentar a MAT de 10º ano, pelo que não se inscreveram nessa disciplina. Os alunos não tiveram, naturalmente, aproveitamento a Física Química, tendo anulado a disciplina por altura do Carnaval.
Qual é a solução para estes alunos? Voltam ao 10º no próximo ano lectivo? Retêm no 11º ano para fazer a Física Química e com grande probabilidade de não ter horário para a MAT de 10º ano? Ingressam num curso profissional? Não teria sido melhor reterem no 10º ano e no próximo ano estariam a inscrever-se no 11º ano em pleno e com condições para fazer um prosseguimento de estudos? Os 3 alunos já decidiram o seu futuro: um vai autopropôr-se a espanhol e geografia para mudar de curso e os outros dois vão ingressar num curso profissional de 3 anos porque não querem ir para a Faculdade. Estes alunos atrasaram as suas vidas 2 anos, gastaram dinheiro ao estado e em último aos contribuintes.
Gostaria de saber o resultado de um estudo que avaliasse o número de alunos que ao transitarem ao ano seguinte com 8 ou 9 numa disciplina de formação específica, conseguem obter classificação positiva no biénio. Será que existe sucesso? Pena que até hoje só tenha sido confrontada com situações de insucesso!
É importante reflectir sobre questões de fundo:
Qual é a Sociedade que queremos?
Qual é a Escola que queremos?
Que Professores queremos?

Paula Pousinha

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Critérios de Avaliação

Estamos a meio do 1º Período e a maioria dos alunos já está a realizar o primeiro teste de cada disciplina.

Os pais que acompanham os seus filhos vivem intensamente este período, não compreendendo por que motivo todos os professores fazem os testes na mesma altura. Preocupam-se com as dores de barriga, de cabeça,... dispensam os seus filhos dos trabalhos a que normalmente estão obrigados, colocar a mesa, arrumar o quarto,... Reforçam os nutrientes na alimentação e alguns, em número crescente, passam pela farmácia ou ervanário para comprar as ampolas milagrosas para ajudar na obtenção de bons resultados.

Considero que é importante que os pais se preocupem, que transmitam aos seus filhos expectativas e cooperação na obtenção de um determinado resultado. No entanto, eu gostaria de advertir todos os pais que esta preocupação não se deve, nem pode, resumir às semanas em que decorrem os testes. Isto porque esse não é o único elemento de avaliação.

Quais são os outros elementos de avaliação?
Todos aqueles que estiverem contemplados nos Critérios de Avaliação! Espero que este não seja um termo novo no léxico de todos os que lerem este post. Está determinado na legislação que todas as disciplinas deverão definir, em sede de grupo disciplinar e com aprovação em Conselho Pedagógico, os referenciais de avaliação, quantificando percentualmente cada um dos elementos. Por questões inerentes à logística escolar, só nesta altura é que estes referenciais são disponibilizados aos pais e alunos. Considera-se que o encarregado de educação está informado, a partir do momento em que o professor sumaria no livro de ponto a distribuição dos critérios de avaliação aos alunos. Não é condição que estes informem os seus pais, dado o elevado grau de esquecimento de alguns alunos. Por esse motivo, gostaria de advertir todos os pais de que se ainda não têm os critérios de avaliação, deverão questionar os seus filhos e caso estes não saibam do que se trata, contactar a directora de turma.

O desconhecimento dos critérios de avaliação é como entrar num jogo sem saber as regras. Até porque cada disciplina tem os seus e escolas diferentes poderão ter critérios diferentes, na mesma disciplina.

Qual é a importância dos Critérios de Avaliação?
O seu filho é avaliado segundo estes referenciais. Caso discorde da classificação atribuída em pauta terá de formular um argumento tendo por base o determinado nesse documento. Por outro lado, poderá fazer a leitura/interpretação do mesmo com o seu filho, o que irá permitir estar mais próximo da escola e estabelecer com ele uma cooperação, fazendo o aluno "ver" que não são só os testes que têm importância, que o seu comportamento, a sua assertividade, a sua responsabilidade na concretização das tarefas escolares, são elementos determinantes para que os bons resultados apareçam em pauta.

A existência de turmas de nível é discutível. Facto é que se um aluno tem um nível de desempenho de 4/5 no ensino básico ou, por outro lado, 14 ou superior no ensino secundário, tem maior probabilidade de integrar uma turma mais regular e com menor índice de indisciplina. Nos dias que correm penso que esse é o desejo de qualquer encarregado de educação. O resto vem por acréscimo!

Estarei disponível para qualquer esclarecimento.

Paula

sábado, 18 de outubro de 2008

Requisito para ser explicador: NENHUM!

O leitor está, provavelmente, chocado com o título deste post. Não esteja! É a realidade do mercado. E acredite que é bem possível que tenha contribuído para isso!

Hoje recebi um pai e a sua filha no Centro. Procuravam informações sobre o Futuro Pensado. A menina, de olhos grandes e brilhantes, meio envergonhada, já tinha ouvido falar do Futuro (como é conhecido entre os nossos alunos). Queria mudar de explicadora porque, palavras da menina, não conseguia aprender na explicadora em que estava.

Seguiram-se algumas perguntas:

Tens explicações de quê?
-Todas as disciplinas.

Quantas vezes por semana?
-Todos os dias.

Não gostas de estar lá porquê?
-Porque são muitos meninos e é uma grande confusão. Só fazemos os trabalhos de casa.

Respostas de uma criança de 11/12 anos. 3 Respostas que caracterizam de modo incisivo o mercado actual do apoio escolar.

O Futuro Pensado abriu há mais de 2 anos. Sabem quantos pais me perguntaram qual é a minha formação? Nenhum. Já para não falar do facto dos currículos/diplomas de todos os que trabalham no Centro estarem disponíveis para consulta e nunca ninguém ter solicitado a respectiva consulta. No site do Futuro Pensado estão disponíveis os currículos. Apenas 17% dos visitantes, ao longo dos 2 anos, teve curiosidade para os consultar. Aspectos sintomáticos de uma sociedade imprudente nas opções que faz. A educação/formação de um filho é um assunto demasiado importante para não ser devidamente analisado. Então o que é que determina a decisão dos pais? O preço, normalmente!

Voltemos à menina que conversou comigo pela manhã. Às suas respostas.

Como é que uma pessoa pode ter formação para dar explicações a todas as disciplinas?
No Futuro Pensado o acompanhamento escolar, serviço que para os pais é similar, é dado por dois professores, um com formação em Português/Inglês e outro com formação em Matemática. Ambos os professores orientam os alunos para a autonomia; dissuadimos os alunos de realizarem os seus trabalhos de casa no Centro. A segurança que os alunos sentem nas restantes disciplinas do seu currículo não tem a ver com um auxílio directo nessas, mas sim com um trabalho de organização e método de estudo, que na maioria das vezes é suficiente.

Como é que uma criança que tem explicações todos os dias pode desenvolver autonomia?
A autonomia é uma competência essencial para o sucesso de um estudante. É a partir dela que se desenvolve a responsabilidade, o bom ritmo de trabalho, a iniciativa, a capacidade de análise e a aquisição de método de estudo.

Como é que se pode apoiar uma criança num grupo de 15 ou 20 crianças? Ou mesmo 10?
Será que os pais acreditam que é possível apoiar uma criança num grupo com elevado número de crianças, provavelmente de níveis diferentes e certamente com necessidades educativas diferentes?
Num trabalho sério não é. Quem quiser dizer o contrário terá de mo provar. Os meus contactos estão disponíveis no site do Futuro Pensado. Tenho 10 anos de experiência no ensino público e privado. Já dei aulas a todos os anos desde o 7º ao 12º ano, no ensino diurno e nocturno; bem como no ensino superior. Já fui colaboradora em vários Centros de Explicação em Cascais e Lisboa. O apoio escolar terá de ser centrado no aluno e não num grupo de alunos. O conceito turma em explicação não faz qualquer sentido porque não acrescenta nada em relação à escola. Só prejudica! O professor que trabalha com o seu filho na escola manda fazer um trabalho de casa porque quer que o seu filho aplique, sozinho, o que aprendeu na aula. Qual é a estratégia pedagógica deste procedimento? Fazer com que o seu filho reveja os conteúdos que aprendeu e os aplique. Se o seu filho estiver num espaço em que existe um adulto (recuso-me a chamar-lhe explicador ou professor porque ofende a profissão que tanto prezo) que é pago para que o seu filho faça os trabalhos de casa e um grupo de alunos que conversam, atiram canetas, fazem aviões de papel, levantam-se e correm uns atrás dos outros, vai acontecer uma de duas coisas: ou o adulto diz as respostas ao seu filho, ou o seu filho copia as respostas do colega a quem o dito responsável já fez o T.P.C. É isto que procura para o seu filho?

Porque é que existem espaços como o que acabei de descrever?
Porque os pais colocam lá os seus filhos. E fazem-no porque o preço é tentador! Toda a logística do Futuro Pensado é pensada tendo por base uma enorme experiência no sistema educativo e porque para um profissional como eu ou profissionais como os que tenho a trabalhar comigo, só há uma forma de fazer: Fazer BEM. Isso tem um custo! É caro? Tudo o que é pago é caro! Um serviço tem um preço. Acredite que se estiver a pagar a um professor menos do que paga à empregada de limpeza que lhe limpa a casa uma vez por semana, então alguma coisa está errada. Arriscaria dizer que nesse caso, para si, é mais importante ter a casa limpa do que a formação do seu filho. Não enterre a cabeça na areia, esta é a realidade!

Não tenho pruridos ao falar deste assunto, porque é frequente pegar em alunos que vêm destes espaços sem nome, situados num qualquer rés-do chão ou 1º andar, provavelmente de contabilidade duvidosa, e ter mais trabalho do que se a criança não tivesse andado nas ditas explicações.

Requisito para ser explicador:
Ter FORMAÇÃO SUPERIOR NA ÁREA QUE LECCIONA
Ter FORMAÇÃO EDUCACIONAL
NÃO SUBSTITUIR o aluno nas suas tarefas

RESPEITAR o trabalho do PROFESSOR, por SABER o que é ser professor.
REJEITAR trabalhar de qualquer MODO, a qualquer PREÇO.

Está mais chocado do que no início? Desconfie sempre, quando a esmola é demais!

Paula

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ensinar na diferença!

A globalização alterou a dinâmica das populações. Se em tempos recentes existiam valores de comunidade, de ajuda ao próximo, de família; actualmente, com o fluxo migratório para as grandes cidades e com a importância crescente do capitalismo, surgiram novos ritmos, em que a competitividade assume um papel crucial de sobrevivência.
Seguem-se modelos nas diferentes áreas sociais, nomeadamente na educação. Defende-se um sistema educacional que preconiza a escola inclusiva, na qual todos deverão ter acesso à mesma realidade educativa, independentemente das suas diferenças físicas, cognitivas ou emocionais. Substitui-se deficiência por diferença, no entanto o preconceito existe. Em teoria, a escola inclusiva apresenta inúmeras vantagens, no entanto o sistema não permite a aplicação dos principios básicos na sua implementação. Falta a formação e informação, os recursos humanos e a união de vontades. Urge a necessidade de pensar em novas estratégias para que no todo se possam reconhecer valores individuais.

Sem rigor de dados científicos não tenho receio em afirmar que os jovens nas escolas apresentam cada vez mais sinais de baixo auto-conceito, insegurança, desmotivação e desinteresse perante a realidade escolar. Os professores (classe em que me enquadro) registam na ficha informativa dos alunos: “deve estar mais atento nas aulas, deve esforçar-se mais...” Será que é isto que devemos escrever? E nós? Professores? Talvez devessemos dar aulas através de sms, eventualmente no messenger! Vestirmo-nos de palhaços! Já estivemos mais longe! A verdade é que se usamos projecção multimédia os alunos adormecem, se fazemos exercícios eles esperam pela resolução no quadro, se optamos por um modelo interactivo eles não participam...
Confesso que para mim não há ferramenta melhor do que giz e quadro, sou inovadora porque uso giz de várias cores! Adoro dar aulas nas escadarias da escola, qual anfiteatro romano. Mesmo os alunos terríveis portam-se lindamente quando fora da sala de aula. À parte os queixumes confesso que ensinar é um prazer. Tenho sido bem sucedida mas ainda assim há um número significativo de alunos que perco em cada turma e são estes os diferentes.
Um aluno bom é sempre bom, independentemente do professor, mas existem aqueles que necessitam que se repare neles, aqueles que partem do princípio que são piores do que os outros. Se quiser estar “na pele” de um destes alunos faça o seguinte exercício: seleccione a cadeira mais desconfortável que tiver em casa, coloque-a em frente à televisão. No leitor de DVD insira um filme chinês ou russo sem legendas. Registe a hora. Sente-se na cadeira onde deverá permanecer sem se levantar durante 90 minutos. Ao fim deste tempo o que sentiu? Pode levantar-se e ir espairecer, mas só durante 10 minutos. Findo esse período de tempo deverá voltar a sentar-se na cadeira para mais uma sessão. Repita o processo por 3 vezes. Sente-se bem?... Talvez consiga compreender o que sentem os alunos diferentes, o insucesso escolar, a violência nas escolas e o abandono escolar!
É neste domínio que novas abordagens assumem um papel fundamental no sistema educativo. Há 10 anos que o ensino enfrenta a reforma das reformas, dos conteúdos, da organização curricular, da carreira docente. Por vezes quando as batalhas são muitas e a guerra dura há vários anos esquecem-se os motivos e os propósitos, o sistema fica desacreditado e moribundo.
Não deixemos que assim seja!
Paula

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Atenção descontínua...


Há algum tempo que não escrevo no Blog!
Não tenho tido oportunidade, sobretudo porque gostaria de escrever algumas palavras sobre uma reflexão que tenho feito nas intermináveis filas de carros da capital.
O novo ano lectivo já começou e eu já me esqueci que ainda há 3 semanas estávamos de férias. Este ano tenho turmas enormes: 30 alunos. Não posso dizer que se portem mal, não é o caso. São alunos do Ensino Secundário e já aprenderam, pelo menos, as regras de bom comportamento.
Hoje as aulas foram particularmente interessantes, levei o computador e o projector multimédia, o que permitiu projectar animações de processos biológicos on-line. Os alunos ficaram absolutamente fascinados e o facto de tudo estar em inglês não foi limitador. A aula foi uma espécie de aula aglutinadora dos conteúdos leccionados, ou seja uma aula de consolidação de aprendizagens. Gostaria de poder acreditar que todos os alunos atingiram os objectivos minimos preconizados na unidade, no entanto, quando questionados, verifico que uma percentagem significativa dos alunos aprendeu, mas outros há que não o fez.
E agora? Continuo o programa ou volto atrás?
Para tomar esta decisão tenho de analisar porque motivo é que aqueles que não respondem correctamente às questões que coloco não sabem responder. Será que fui eu que expliquei mal? Será que foi o aluno que não esteve com atenção?
Abre-se outro ponto de discussão: o que é que é estar com atenção nas aulas? Será que é estar a olhar para o professor?
Tenho-me debatido com estas e outras questões, tendo formulado uma opinião que não deixa de ser isso mesmo: uma opinião muito pessoal sobre o processo de ensino-aprendizagem.

Quando eu estava na faculdade falava-se em tempos de mudança, de reforma das técnicas de ensino. O professor deveria dar aulas interactivas em detrimento das aulas expositivas; a avaliação deveria ser contínua em vez de se basear em momentos (testes), o professor deveria criar recursos pedagógicos, tanto quanto possível tridimensionais and so on... Tenho a certeza de que quem estiver hoje na faculdade ouve falar de uma nova mudança: a reforma introduzida pela implementação massiva das novas tecnologias da informação, as plataformas Moodle, o e-learning, os learning objects, e mais uma sem números de mudanças.
Após ter testado tudo isto, eu continuo a ter alunos que não aprendem o que eu lhes quero ensinar, que não conseguem aplicar, em contexto problema, o conteúdo que "aprenderam".
Ao ler as respostas dos meus alunos, a questões de resposta extensa (aquelas que exigem mais de 3 linhas), apercebo-me que os alunos aprendem de forma descontínua, ou seja, como se fosse uma máquina fotográfica programada para tirar uma fotografia de 2 em 2 minutos. O discurso não é fluente e perdem informação. Isto permite explicar o melhor desempenho dos alunos em questões de escolha múltipla do que de resposta aberta.

Perante esta hipótese comecei a observar melhor os comportamentos dos alunos. Apesar do seu comportamento não perturbar a aula, os alunos não são activos na sua aprendizagem. O seguimento que eles fazem da aula não é um esforço individual, mas sim o interromper da sua ausência motivado pelas oscilações vocais do professor, ou seja, os alunos estão naturalmente ausentes da aula e o professor, de uma forma sistemática, mas descontínua interrompe essa ausência. Para alguns é fácil colar os pedaços, para outros os danos são irremediáveis.
Termino referindo uma expressão pela qual tenho especial simpatia:
«Quando ouço esqueço, quando vejo lembro, quando faço aprendo»
Não há forma de aprender não sendo activo na sua aprendizagem. Perante isto o professor pode fazer muito pouco!

Vale a pena pensar nisso...



Paula

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Estatuto do Aluno: Novo Regime de Faltas

No ano lectivo que agora se inicia vigorará o novo estatuto do aluno regido pela Lei n.º 3/2008
de 18 de Janeiro. Os pais estão pouco habituados a consultar a legislação, no entanto considero importante que o façam pelo que coloco aqui o link (
http://min-edu.pt/np3content/?newsId=1570&fileName=lei_3_2008.pdf).

Gostaria de salientar os artigos 21º e 22º, excesso grave de faltas e efeitos das faltas, respectivamente.

Artigo 21.º
Excesso grave de faltas
1 — Quando for atingido
o número de faltas correspondente
a duas semanas no 1.º ciclo do ensino básico
,
ou
ao dobro do número de tempos lectivos semanais,
por disciplina
, nos outros ciclos ou níveis de ensino, os
pais ou o encarregado de educação ou, quando maior
de idade, o aluno, são convocados à escola, pelo meio
mais expedito, pelo director de turma ou pelo professor
titular de turma,
com o objectivo de os alertar para as
consequências do excesso grave de faltas
e de se
encontrar
uma solução
que permita garantir o cumprimento
efectivo do dever de frequência, bem como o necessário
aproveitamento escolar.




Artigo 22.º
Efeitos das faltas


2 — Sempre que um aluno, independentemente da
natureza das faltas
, atinja um número total de faltas
correspondente a três semanas no 1.º ciclo do ensino
básico, ou ao triplo de tempos lectivos semanais,
por
disciplina
, nos 2.º e 3.º ciclos no ensino básico, no ensino
secundário e no ensino recorrente, ou,
tratando -se,
exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas
no 1.º ciclo
do ensino básico ou o
dobro de tempos
lectivos semanais, por disciplina,
nos restantes ciclos
e níveis de ensino, deve realizar, logo que avaliados os
efeitos da aplicação das medidas correctivas referidas
no número anterior,
uma prova de recuperação, na disciplina
ou disciplinas em que ultrapassou aquele limite,
competindo ao conselho pedagógico fixar os termos
dessa realização.


3 — Quando o aluno não obtém aprovação na prova
referida no número anterior, o conselho de turma pondera
a justificação ou injustificação das faltas dadas, o
período lectivo e o momento em que a realização da
prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas
restantes disciplinas, podendo determinar:
a) O cumprimento de um plano de acompanhamento
especial e a consequente
realização de uma nova
prova;

b) A retenção do aluno inserido no âmbito da
escolaridade
obrigatória
ou a frequentar o ensino básico, a qual
consiste na sua manutenção, no ano lectivo seguinte, no
mesmo ano de escolaridade que frequenta;
c) A exclusão do aluno que se encontre
fora da escolaridade
obrigatória
, a qual consiste na impossibilidade
de esse aluno frequentar, até ao final do ano lectivo em
curso, a disciplina ou disciplinas em relação às quais
não obteve aprovação na referida prova.
4 — Com a aprovação do aluno na prova prevista no
n.º 2 ou naquela a que se refere a alínea a) do n.º 3, o
mesmo retoma o seu percurso escolar normal,
sem prejuízo
do que vier a ser decidido pela escola
, em termos
estritamente administrativos,
relativamente ao número
de faltas consideradas injustificadas.


A lei remete para as escolas o poder de decisão relativamente aos conteúdos contemplados na prova, bem como ao procedimento em relação à relevação de faltas, caso o aluno obtenha aprovação na prova. É por esse motivo importante ler o regulamento interno da escola do seu educando, pedindo, caso necessário, esclarecimentos ao director de turma.

Importa referir que os alunos abrangidos pelo estatuto de alta competição têm um enquadramento legal diferenciado, o que não acontece com os alunos que faltam devido a doença prolongada.

Em minha opinião os alunos que faltam por doença são francamente penalizados pelo novo estatuto, na medida em que não se diferenciam convenientemente as situações.

Imagine-se um aluno que faltou o equivalente a três semanas (1ºCiclo) ou ao triplo do número de aulas semanais de várias disciplinas, apresentar atestado(s) médico(s) a justificar a sua ausência, terá de fazer as diferentes provas de recuperação, podendo estas contemplar os conteúdos referentes ao período da sua ausência ou a toda a matéria leccionada até à data, estando em risco de poder ficar retido. O mais ambíguo da lei, é que não prevê situações destas, uma vez que no ponto 4, do artigo 22º, considera que a relevação das faltas se refere a faltas injustificadas. Então, na situação do aluno descrito, que faltas são relevadas, se ele não tem faltas injustificadas?

Uma coisa é certa, espera-nos um ano difícil!



Paula

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Centros de Estudos: que futuro?




Os jornais, rádios e televisões informaram os portugueses de que o insucesso e o abandono escolar diminuíram significativamente nos últimos três anos. Facto que o poder central justificou com o plano nacional da matemática, um maior número de aulas de estudo acompanhado, um maior número de horas que os professores passam na escola e uma maior diversidade de opções, sobretudo os cursos de educação e formação.
Seria interessante avaliar o impacto que estas notícias têm na dinâmica das famílias. Perceber se os índices de confiança na instituição escola aumentaram, se os pais continuam a achar que os professores são uma classe profissional privilegiada, se os alunos pensam que precisam de se esforçar menos para passar de ano, se os pais e os alunos pensam que têm (maior) influência sobre as decisões pedagógicas do professor.
Enquanto directora pedagógica deste Centro (Futuro Pensado) questiono-me inúmeras vezes sobre a posição que estas empresas têm no mercado. Como qualquer empresa tem de gerar receita. Para isso, é crucial que existam serviços e interessados nesses serviços. Ora os serviços têm necessariamente de ter um valor acrescentado em relação à escola. Nesta reflexão existem dois elementos determinantes que não podemos esquecer: a escola passou a ser mais dinâmica e tenta colmatar as necessidades dos alunos, o mercado das explicações é um espaço desacreditado, pelo facto de todas as pessoas se considerarem capazes de ser professores/explicadores e existir uma elevada taxa de desemprego na classe.
Considero que empresas como a que dirijo só têm espaço no mercado se constituírem elas próprias uma fonte de enriquecimento para o aluno e não, tão somente, uma estratégia para conseguir corresponder às exigências da escola; ou seja, é importante que os pais percebam que mais importante do que o seu filho passar é que ele saiba escrever, saiba argumentar, saiba estruturar conhecimentos e aplicá-los de uma forma transversal, competências que não são passíveis de ser solidamente adquiridas num ensino em massa, que se guia por resultados estatísticos e em que, pela necessidade de impor normas sociais anteriormente não mensuráveis, passou a atribuir um enorme peso à componente psicossocial (atitude, comportamento na sala de aula, ...) e aos trabalhos de grupo, em detrimento da componente cognitiva. De que vale ter o 9º ano se não sabe escrever?
A vida tem-me possibilitado ouvir muitos pais. São tão diversificados quanto são os alunos. Eu acredito e quero sempre acreditar que todos os pais querem o melhor para os seus filhos. Consigo avaliar o quanto deve ser difícil para um pai, cujo filho tem inúmeras negativas, participar em conversas em que outros pais elogiam os feitos dos seus rebentos; o quanto deve ser humilhante (na sociedade egoísta em que vivemos) dizer o meu filho ficou retido. Mas acreditem pais, há situações em que a transição não é a melhor opção. Não vale a pena um aluno transitar de ano se durante todo esse ano teve negativas nos testes de matemática ou português. Isso significa que em algum momento da sua vida o facto de não ter adquirido/consolidado essas aprendizagens vai ser um factor limitante nas suas escolhas.
O apoio escolar é um serviço que deve ser feito na base e não no topo. No ensino secundário pouco há a fazer. Não é possível interpretar se não sabe ler, não é possível argumentar, articular aprendizagens, expor ideias, se não sabe escrever. O Futuro Pensado procura consolidar as competências de base, para que o aluno, caso queira, possa chegar mais longe e, sobretudo, para que as decisões dos nossos alunos, em relação ao seu futuro, sejam uma opção entre várias e nunca a única possível. Vocês, pais e alunos que me conhecem, sabem do que estou a falar!

Paula

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ensino: state of the art



Muito se fala sobre escola, ensino, professores... Palavras que marcam a actualidade não fosse este o início de mais um ano lectivo.

Todas as pessoas têm significados para estas palavras. Na generalidade têm 2 perspectivas: a sua experiência enquanto alunos e o acompanhamento do percurso escolar dos seus filhos. Entre as duas realidades há muitas vezes uma descontinuidade de 2 ou 3 décadas, pelo que muitas coisas são diferentes, os métodos, os espaços, os materiais... Curiosamente mantêm-se os sujeitos: alunos, pais e professores.

Uma minoria de pessoas tem uma perspectiva de continuidade, ou seja, são alunos que nunca saíram da escola, os professores. Têm acompanhado a reforma das reformas, sendo actores secundários no planeamento e principais na concretização. É difícil encontrar motivação para reformar quando não se é ouvido sobre como o fazer! É difícil ensinar quem não quer aprender! É difícil classificar quando o nível já está atribuído!

Será que os pais sabem que os seus filhos têm aulas de 45 minutos?
Será que os pais sabem que o professor de Ciências Naturais, Ciências Físico-Químicas, História, Geografia, estão com os seus filhos 90 minutos por semana?
Será que os pais sabem que os professores destas disciplinas têm 7 ou 8 turmas, o que significa 160 alunos além do seu filho?
Será que os pais sabem que as notas dos seus filhos influenciam a avaliação de desempenho dos seu professores?

Há tantas outras coisas para saber!

Se soubessem teriam percebido que a maioria dos professores que sairam à rua naquele sábado, o fez enquanto encarregado de educação e não enquanto professor. Porque não é de avaliação de professores que se trata, é sobretudo da escola dos nossos filhos e do que se está a fazer com ela.

Sejam vigilantes em relação ao trabalho dos vossos filhos!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ler porquê?

Desde sempre me lembro de ler um ou vários livros nas férias. Aliás, ainda não tinha aprendido a ler e já havia livros que marcavam a minha estadia balnear na praia de Santa Cruz.

Uma das melhores recordações que tenho é de no Verão de 1985 ou 86 (não me recordo ao certo) ter incitado a minha família a oferecer-me uma colecção inteira com os clássicos infantis (Gato das Botas, Capuchinho Vermelho, Cinderela…). A minha mãe (ou terá sido a minha avó?) comprou um desses livrinhos e leu-me a história algumas vezes até que eu decorei palavra a palavra o conteúdo da mesma.

Nos dias que se seguiram, na ida para a praia, passávamos pela papelaria e era aí que eu me perdia na escolha de mais um livrinho. E assim os dias foram passando até que consegui reunir os vinte exemplares que faziam parte dessa colecção. Eram (e são porque os guardei como se de uma relíquia se tratasse) bastante pequenos e baratos e o seu aspecto gráfico nada tinha que ver com os livros infantis de hoje em dia. Contudo, mesmo sendo mais rudes, atraíam mais crianças do que os livros dos nossos dias atraem.

Estou certa que começou aqui a minha vida de leitora compulsiva e que este episódio foi, sem dúvida, determinante para aguçar o gosto que hoje mantenho pelos livros.

Sabemos que hoje em dia grande parte das crianças e dos adolescentes não gosta de ler. Isso é já um dado adquirido. Face a esta situação, e tendo como objectivo central “elevar os níveis de literacia dos portugueses e colocar o país a par dos parceiros europeus”, foi criado o Plano Nacional de Leitura (http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/), um projecto que envolve pais, educadores e professores, agentes activos na formação da criança.

São estes agentes que podem e devem encontrar estratégias que promovam, antes de mais, o contacto dos mais novos com o livro, pois isso faz com que o interesse deles seja desperto. Assim, e como a capacidade de ler se desenvolve a par da capacidade de falar, é importante que, desde cedo (a partir dos seis meses de vida), estimule o contacto do seu filho com os livros. Aqui ficam algumas sugestões práticas do que pode fazer:

  • Inclua os livros no dia-a-dia das crianças: antes de adormecer ou nos momentos de pausa leia com/para os seus filhos.
  • Leia em voz alta para os seus filhos: está provado que as crianças de famílias que lêem em voz alta têm melhores resultados escolares.
  • Nos momentos de leitura, deixe o seu filho explorar o livro, observar a capa, contra-capa, ilustrações…
  • Leve o seu filho à biblioteca e, se ele já tiver idade, torne-o sócio de uma biblioteca pública, por exemplo.
  • Leve o seu filho a uma livraria sempre que vai a um centro comercial. Há livrarias que têm espaços próprios em que as crianças podem “brincar” com os livros.
  • Ofereça livros às crianças: seja prático e original, opte por oferecer um livro em vez de uma Playstation ou de um jogo de computador.

No seu livro Como um Romance, Daniel Pennac defende que um dos direitos do leitor é não ler um livro, mas para que tal aconteça tem de ser leitor. Assim, quando ouvir o seu filho dizer que não gosta de ler, tente reverter a situação, dando o seu contributo para a sua formação enquanto leitor.

Elsa

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Regresso às aulas...

As férias estão a acabar!
Confesso que já estou com saudades do trabalho.

Alguns pais já começaram a ligar para saber quando é que abrimos as portas, o que irá acontecer na próxima terça feira, dia 26 de Agosto.

Gostaria de aconselhar todos os pais, especialmente pais de alunos que frequentem o 1º e 2º Ciclo do EB, a comprarem um daqueles livros de exercícios para fazer em férias. Podem encontrar em qualquer superfície comercial. As duas primeiras semanas de Setembro são o período ideal para concretizar essa tarefa. O livro deverá ser para o nível que o aluno frequentou no ano transacto e não aquele que irá frequentar no ano lectivo que se iniciará em Setembro.

Tenho reparado que os hipermercados já estão a fazer campanhas de regresso às aulas. Além do elevado custo dos livros os pais terão ainda de comprar mochilas, dossiers, cadernos, etc... Para poderem poupar algum dinheiro é importante fazer uma lista com o seu filho e comprar exclusivamente o que for definido na lista. Da nossa experiência os alunos não usam as suas agendas, sendo preferível ter um caderninho pequeno em que registam as suas anotações, como os T.P.C.´s ou as datas dos testes.

Estimule o seu filho a ter boas notas nos testes da seguinte forma:
Elabore uma grelha para os testes, na qual deverão constar as seguintes colunas: Data-Disciplina-Classificação. Coloque a grelha num local visível, por exemplo a porta do frigorífico. Assim que o seu filho souber a data deverá assinalar na grelha. Assim será possível acompanhar melhor o trabalho dele e ajudá-lo a organizar o seu estudo. Quando o seu filho receber o teste deverá indicar o resultado. Se for bom deverá ser comemorado, com um jantar que ele goste, por exemplo. Se for um mau resultado deve criar-se um espaço para conversar e tentar perceber a causa do insucesso. Mas atenção há pais que colocam a fasquia muito elevada aos seus filhos, é necessário ser realista e valorizar o esforço, mesmo que dele só tenha resultado um satisfaz!

Da nossa experiência podemos afirmar que a motivação é a chave para o sucesso dos alunos. Motive o seu filho. Gratifique-o com tempo e tente não o fazer com bens materiais, ou seja, se ele obtiver bons resultados não lhe ofereça um telemóvel ou uma PSP, opte por levá-lo ao cinema, ou passar um dia na Tapada de Mafra, por exemplo.

São apenas alguns conselhos,
Se quiserem partilhar experiências, fazer comentários, agradeço.

Paula